Interdisciplinaridade em Ensino, Pesquisa e Inovação

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Devido ao aumento da sociedade, que se torna cada vez mais conectada, global e não linear, problemas complexos surgem como desafios para a população. Tais problemas exigem soluções inovadoras que priorizam o progresso tecnológico sem contudo abrir mão da sustentabilidade para criar valor e riquezas.

Nesse contexto, a interdisciplinaridade pode ser um conceito norteador para a criação de inovação sustentável, pois trata-se de um processo que combina diferentes disciplinas para criar novos saberes, que são insumos para a criação de inovação.

A expansão do conhecimento retrata no mundo contemporâneo a pesquisa científica e tecnológica buscando por caminhos diferenciados das práticas e rotinas padronizadas. Muito embora, as ciências consideradas duras exijam especialidades em alto grau de conhecimento para o desenvolvimento de suas pesquisas, o que requer adentrar em processos puramente disciplinares, não se pode negar que pesquisas arrojadas, com elevado grau de impacto em seus resultados, buscam na interdisciplinaridade o caminho para as suas questões.

Assim, o ensino, a pesquisa e a inovação avançam em horizontes  que promovem abertura e ampliação para novos modelos de interação do conhecimento, novas abordagens de investigação e de aprendizado que provocam mudanças, seja na relação de trabalho em equipe ou do próprio indivíduo. Assim, pode-se afirmar que o ponto de partida e chegada está no avanço do conhecimento através de suas diferentes manifestações.    

O Instituto Stela tem participado e desenvolvido ações que ratificam a interdisciplinaridade como mecanismo de suporte à criação do conhecimento, sendo esta percebida como essencial para a resolução de problemas complexos. Exemplos podem ser conferidos nos projetos executados pelo Instituto, bem como, em publicações geradas por seus colaboradores, como o último livro da trilogia da interdisciplinaridade.

Sobre a Trilogia da Interdisciplinaridade

Nos últimos cinco anos foram publicadas três obras com um amplo grupo de colaboradores que oferecem ao país uma trilogia de notável contribuição à interdisciplinaridade. Sob a coordenação do Prof. Arlindo Philippi Jr., o primeiro volume – Interdisciplinaridade em ciência, tecnologia & inovação – descreve teorias e práticas interdisciplinares, e experiências brasileiras, acumuladas em uma década de programas de pós-graduação multi e interdisciplinares. O segundo volume – Práticas da interdisciplinaridade no ensino e pesquisa – possui ênfase nas experiências de docentes, pesquisadores e alunos de pós-graduação em projetos de ensino, pesquisa e extensão interdisciplinar. O terceiro volume (na foto acima), denominado – Institucionalização da Interdisciplinaridade – em co-editoria com os professores Valdir Fernandes e Roberto C. S. Pacheco, reúne, novamente, uma gama de autores para refletir e registrar experiências sobre a institucionalização da interdisciplinaridade.

Os resultados das reflexões do primeiro livro foram direcionados para o desafio de se buscar um marco conceitual e estrutural para a multi e a interdisciplinaridade na pós-graduação.

O segundo livro deixa clara a necessidade de se estabelecer interfaces constantes entre ciência e políticas públicas. Para enfrentarmos os desafios do século 21, a produção do conhecimento e a elaboração de políticas públicas não podem ser processos estanques, mas sim interdependentes.

Os autores do segundo livro ainda destacam desafios contemporâneos, como (i) produzir alimentos para 9 bilhões de pessoas respeitando limites planetários sustentáveis; (ii) valorizar e proteger serviços da natureza e da biodiversidade; (iii) conseguir se adaptar a um mundo mais quente e mais urbano; (iv) realizar a transição para sociedades de baixo carbono; (v) reduzir a pobreza e promover a educação para a sustentabilidade; (vi) criar oportunidades de renda e de inovação com sustentabilidade global; (vii) reduzir riscos de desastres e (viii) alinhar governança e gestão responsável. Para eles, todas essas demandas exigem a construção de uma agenda e de uma produção científica voltada à resolução de problemas complexos, com efetiva e constante comunicação com a sociedade.

Diante disso, o terceiro volume veio para agregar os resultados de uma institucionalização da interdisciplinaridade: a criação de uma agenda centrada em uma visão de bem comum, que mantém os diferentes atores do sistema de EPI comprometidos com a busca de resultados coletivos, ainda que diante de conflitos permanentes, conforme ressaltam os autores do livro. Nessa visão, os cientistas devem ser melhores comunicadores sobre a relevância e o impacto (mesmo que potencial) do que produzem, enquanto os gestores públicos devem ser formuladores e governantes de ações que levem a resultados de benefícios efetivos para a sociedade.

Assim, o livro contribui para a interdisciplinaridade com uma gama de capítulos que buscam tratar de diferentes aspectos dessa condição de relação virtuosa entre ciência e políticas públicas.

Relatos de autores de instituições como UFABC, Unicamp, UFOP, UNESC, UFRRJ, USP, UFFS, UFTPR, entre outras, mostram o panorama dos desafios em projetos complexos, que exigem articulação político-institucional. O livro complementa com temáticas que exigem a atuação de atores de diferentes matizes, como gestão de recursos hídricos, pesquisa agropecuária, mudanças climáticas, em unidades institucionais, isto é, programas de pós-graduação e projetos inter e transdisciplinares. São ainda apontados elementos que caracterizam o reforço positivo da interdisciplinaridade no cumprimento da missão institucional das instituições de ensino e pesquisa.

Em seu conjunto, o volume traz reflexões sobre o papel das instituições diante dos desafios da internalização da interdisciplinaridade, revelando o comprometimento da comunidade acadêmica com a busca de respostas para demandas da sociedade, desenvolvendo conhecimentos para o seu equacionamento e solução e, ao mesmo tempo, apontando possibilidades com relação ao pensar, organizar e produzir ciência.

Portanto, este terceiro volume fecha uma trilogia com o tema da Institucionalização, o qual é o caminho que a interdisciplinaridade ainda está percorrendo para sua plena inserção na educação superior, na ciência, na tecnologia e na inovação do país.

Citação deste artigo

INSTITUTO STELA. Interdisciplinaridade em Ensino, Pesquisa e Inovação. Pesquisadores: Roberto C.S. Pacheco, Vivian Costa Alves e Viviane Schneider. Florianópolis, novembro de 2016. Blog do Instituto Stela. Disponível em: <http://blog.stela.org.br/?p=283>. Acesso em: dia, mês, ano.

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